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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Escalenos, respiração e Síndrome do desfiladeiro torácico

Encontrei esse texto muito interessante de autoria de Erik Dalton, terapeuta manual com formação em Rolfing e Quiroprática, criador de Myoskeletal Alignment Techniques e estou compartilhando com vocês.

"A literatura que aborda terapia manual está carregada com artigos que descrevem a função do músculo escaleno, anatomia e disfunção. Então, hoje eu vou oferecer uma perspectiva sobre o papel que os escalenos desempenham nas síndromes compressão do nervo. 
Os três grupos escalenos têm seu nome originado de skalenos palavra grega que significa "irregular". Embora anatomistas descrevam os escalenos como músculos individuais, terapeutas mais sensíveis ao toque estão cientes de como eles trabalham juntos como uma unidade funcional durante a inclinação lateral e rotação do pescoço (Fig. 1). Considerados como músculos acessórios da inspiração, podem elevar a primeira e segunda costelas e ajudam na flexão do pescoço. Acreditava-se que os escalenos só operavam durante a respiração profunda ou forçada, mas eletromiografias mais elaboradas, mais eficientes, mostram os escalenos trabalhando mesmo quando a inspiração é suave. Isso levou alguns pesquisadores a deixar cair o rótulo de acessórios e considerá-los como músculos principais da inspiração.
Eletricistas, pintores, dançarinos e atletas competitivos, como nadadores e arremessadores podem desenvolver síndrome escaleno anterior devido ao atrito excessivo de estruturas neurovasculares. Nervos cervicais e vasos muitas vezes ficam presos entre os tendões fibróticos do escaleno anterior e médio  na entrada torácica (Fig. 2). Espasmo prolongado de escalenos por lesão, postura ruim ou por uso excessivo também pode causar problemas à medida que puxam a primeira costela colocando-a contra uma clavícula caída. Quando o plexo braquial fica retido entre a clavícula e a costela, uma condição chamada "síndrome costoclavicular" surge. Este distúrbio é uma das principais causas de Síndrome do Desfiladeiro Torácico.
Porque o ombro e o pescoço compõem partes muito complexas do corpo, com músculos e tecidos conectivos que vão em todas as direções possíveis, os terapeutas devem se concentrar com a intenção de avaliar corretamente os padrões posturais antes de "perseguir a dor". Alguns testes de provocação comumente usados ​​para determinar a
Síndrome do Desfiladeiro Torácico como a manobra de Adson (escalenos), Allen (pulso radial), 'Hands-up' (peitoral menor) e a manobra de elevação do impacto de canal costoclavicular podem ser utilizados. Estes testes podem ou não momentaneamente reproduzir sintomas, mas às vezes são úteis na exclusão de outras causas que podem produzir sintomas semelhantes.
Devido à sobreposição de sintomas, muitas vezes é difícil fazer uma avaliação definitiva por meio de testes de provocação. Felizmente, os avanços no exame de imagem - Neurography -  Ressonância Magnética e Neurografia estão fornecendo monitoramento mais preciso dos locais exatos de danos no nervo periférico. Estes testes, acompanhados pela história completa e avaliações posturo-funcionais, são extremamente úteis para fisioterapeutas tratarem aderências miofasciais nessa verdadeira "armadilha" que irrita o feixe de nervos e capaz de trazer sensação para o braço e mão.
Resultados terapêuticos alcançam recompensas maiores quando os nervos ao longo de todo o comprimento do braço são examinadas e trata-se proximalmente começando a partir da coluna cervicotorácica para baixo através do pulso e mão.
Ao aprender a trabalhar a região anterior do pescoço, cuidado especial deve ser tomado para evitar colocar pressão dos dedos sobre as estruturas neurovasculares. Portanto, sugiro que você pratique sob supervisão até que obtenha segurança e habilidade para tal."

Deixo uma sugestão, suspeita que sou, já que durante 10 anos fui professora de Anatomia Palpatória na faculdade de Fisioterapia; estudem anatomia com a funcionalidade no pensamento. (Leiam esse artigo apaixonante).  Utilizem a avaliação estática, transicional e dinâmica ou funcional antes de desenvolver seu programa de tratamento.
Essa base é fundamental para nosso sucesso!!!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Avaliação fisioterapêutica : questão de ponto de vista?

Como já tenho postado, a avaliação fisioterapêutica gera muitos questionamentos, incertezas e discussões.

Pensando sobre esse assunto me veio uma imagem na mente; a de uma visão limitada, voltada para uma parte e não para o todo. A visão que temos ao avaliar os segmentos separadamente.

Observe a imagem...
 
O que parece? Uma ponte para lugar nenhum?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Apresentando mudanças...

Estou reformatando o Blog para que você navegue com mais facilidade no seu conteúdo, afinal o meu objetivo é prover de dados e informações sobre a fisioterapia e tudo o que possa levar ao seu bem estar.

Precisei localizar posts para fonte de referência aos alunos do curso de "Avaliação Fisioterapêutica - da Teoria a Prática - que estará acontecendo no próximo fim de semana, e percebi que o Blog poderia estar mais organizado.

Entre os posts estão:










Quando agrupados, demonstram o meu modo de pensar e agir na fisioterapia. Não se trata apenas de falar sobre a globalidade, mas vivenciá-la, consciente de que todas as estruturas corporais são interconectadas e interdependentes. Além disso, o ser humano foi feito para se manter em movimento e devemos olhar não apenas para a estrutura afetada mas para o ser humano que está a nossa frente.

Podem estar certos que sempre estarei fazendo o meu melhor para vocês!

Para me ajudar, é fundamental que vocês façam comentários, me dêem sua opinião.

Espero que esteja mais simples e rápido navegar por aqui.

Um super abraço!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Anatomia funcional - O que você sabe?

O curso de Avaliação Fisioterapêutica está próximo de acontecer, pensando nisso resolvi colocar uma questão  sobre anatomia funcional que é imprescindível no processo de nossa avaliação.

Vamos a ela:
Que músculo desacelera excentricamente a dorsi-flexão do tornozelo, rotação interna da perna e flexão de joelho?
(  ) gastrocnêmio medial
(  ) gastrocnêmnio lateral
(  ) poplíteo
(  ) tibial anterior 



Para conferir a resposta

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Avaliação fisioterapêutica e diagnóstico cinesiológico-funcional

Da  avaliação fisioterapêutica surge o diagnóstico cinesiológico-funcional.

Para quem não sabe, cinesiológico significa estudo do movimento. Cine = movimento e logo = estudo.

Aproveito a oportunidade para mais uma vez esclarecer que há diferença entre diagnóstico realizado pelo médico e o diagnóstico realizado pelo fisioterapeuta.

"Existe uma diferença entre o diagnóstico médico e o diagnóstico fisioterapêutico. Não no processo em si – é o mesmo em ambos os casos – mas nos fenômenos que estão sendo observados e classificados. O fisioterapeuta não identifica a doença no sentido da patologia básica, mas grupos de sinais e sintomas relacionados a comportamentos motores e limitações funcionais físicas do paciente. Desta forma, o diagnóstico médico encaminhado ao fisioterapeuta não fornece esclarecimentos suficientes para fundamentar o processo de tratamento.

A essência da fisioterapia é a restauração da função do movimento e da postura e a natureza dos fenômenos envolvidos na disfunção do movimento e da postura é que constitui o foco da intervenção do fisioterapeuta e o esquema de classificação diagnóstica. Enquanto o médico trata de uma questão patológica básica fundamental e primária, o diagnóstico do fisioterapeuta está ligado a função."
                                                       Fonte: terapia do movimento

Nós fisioterapeutas então vamos verificar o grau de comprometimento que a lesão imprime ao movimento.

Para facilitar essa compreensão, vamos a um exemplo:

Um paciente chega com queixa de dor no joelho e diagnóstico de tendinite. 
Esse diagnóstico é feito pelo médico que o encaminha para a fisioterapia. Pois bem,  nós fisioterapeutas iremos avaliar o quanto essa tendinite está afetando a capacidade de movimento - a função - desse paciente. Isso sem falar que antes devemos nos certificar se estamos diante de uma tendinite ou de uma tendinose.
O ideal é que a a nossa avaliação compreenda a estrutura em si, no caso o tendão, a estrutura do joelho, pelo menos as duas articulações adjacentes, ou seja, quadril e tornozelo, a postura do joelho, a postura corporal na estática e na dinâmica.

Temos que ter em mente que uma dor faz com que o corpo se adapte para continuar em movimento e assuma uma postura diferente que é denominada antálgica

Quanto mais tempo a pessoa ficar com a dor, maior será o número de estruturas comprometidas.

No meu curso falo muito sobre isso. 
Meus anos de prática clínica demonstraram que temos que ir atrás de pistas que nos levem a desvendar o mistério do efeito em cascata que ocorre após uma lesão.
Muitas vezes temos que atuar em áreas distantes da região afetada para alcançarmos sucesso no tratamento.

Lembro mais uma vez que dificilmente o problema se atem a afetar apenas uma área do corpo. No exemplo dado, a lesão do joelho pode afetar outras estruturas ou mesmo  pode ter ocorrido por um desarranjo postural. (Principalmente se a tendinite/tendinose não resultou de trauma direto, mas por microtraumas de repetição.) No corpo humano todas as estruturas são interconectadas e interdependentes.

Nas figuras podemos fazer um paralelo:

Se uma postura estática (acima) nos revela uma alteração da posição normal dos joelhos, devemos verificar se o mesmo ocorre em movimento. No exemplo ao lado temos o agachamento que é um movimento que repetimos várias vezes ao longo das nossas vidas, como por exemplo, quando sentamos e levantamos de uma cadeira.

Esse padrão incorreto pode, ao longo do tempo, desgastar as articulações devido ao desequilíbrio de tensões que agem sobre elas. E sabemos que não se limita aos joelhos mas influencia todo o corpo.

Espero ter contribuído para esclarecer a diferença entre o diagnóstico clínico e o diagnóstico cinesiológico-funcional.

A avaliação fisioterapêutica é fundamental e indispensável no processo de recuperação de uma lesão musculo-esquelética!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Porque montei um curso de avaliação fisioterapêutica

A avaliação é como um mapa de tesouro. Nos leva ao nosso alvo, evitando que possamos cair em armadilhas ou que sejamos desviados do nosso caminho. 

A avaliação fisioterapêutica é o ponto que desperta mais dúvidas no início da prática profissional.
    
Na época em que atuava como supervisora de estágio, meus alunos já me pediam para montar um curso de avaliação.

Já se passaram 9 anos; demorei pois queria montar um curso que acrescentasse algo de utilidade   imediata, que é a marca de meus cursos. 
Tenho sempre o cuidado de aliar o enfoque pedagógico à preocupação de tornar a prática mais precisa com informações  fortemente embasadas na ciência. 

Depois de todo esse tempo de intenso atendimento clínico, mais o ensino universitário por 10 anos, acrescidos à formação continuada,  venho trazer esse curso que conta com informações valiosas.

Nós fisioterapeutas devemos ter o nosso raciocínio voltado para a complexidade do Sistema de Movimento Humano.
Ao utilizarmos ferramentas que nos permitam avaliar os padrões de movimento, associando com as técnicas convencionais de avaliação, alcançaremos um melhor entendimento da função comprometida.
Utilizando e empregando esse paradigma criamos uma abordagem consistente para tratar a disfunção músculo-esquelética.
Além disso a pesquisa tem revelado que a observação do movimento humano pode e deve ser usada para o desenvolvimento de estratégias de prevenção de lesões.
É a tomada da terapêutica integrada, da convergência de várias informações com objetivo maior: restabelecimento da função perdida.

Por fim, é ótimo apreveitar a oportunidade - já que estamos na época da votação do Ato Médico - para falar da distinção entre diagnóstico clínico que deve ser feito pelo médico e o físico-funcional, pelo fisioterapeuta. (nesse link você encontra esse esclarecimento)
As profissões são diferenciadas pois suas atuações são diferenciadas! Cada um na sua área de atuação e todos em prol de um bem maior : o melhor atendimento ao nosso paciente.
Esse paciente precisa que todos nós, de diferentes profissões da área biomédica, trabalhemos em conjunto.

Obs/ Estamos entrando em Outubro, mês do módulo I do curso e restam poucas vagas.

sábado, 18 de junho de 2011

Curso : Avaliação fisioterapêutica - da Teoria a Prática

Durante o longo período em que atuei como professora universitária e supervisora de estágio, tanto os questionamentos mais frequentes quanto a insegurança diziam respeito à avaliação fisioterapêutica.
A teoria da semiologia é segmentada, o que a torna difícil de aplicar. A colocação em prática dos conhecimentos se torna mais fluida à medida que se adquire experiência.

Esse curso tem o objetivo de encurtar esse caminho para os estudantes e ampliar o horizonte, via novas informações, contribuindo com os programas de avaliação já adotados por profissionais.

Sem dúvida alguma, a avaliação é o alicerce, a pedra fundamental de onde se construirá todo o programa de tratamento. Além do mais, na nossa prática clínica, temos que ser objetivos e ao mesmo tempo abordar o problema a ser solucionado da forma mais abrangente possível a fim de obter uma avaliação eficiente, segura e baseada em evidências científicas.

Nos dias de hoje há a necessidade crescente de informações "enxutas", ou seja, que abordem o que é indispensável e que sejam utilizáveis imediatamente após seu conhecimento.

Ciente disso fiz um apanhado geral dos tópicos fundamentais que asseguram uma avaliação eficiente para os fisioterapeutas que atuam nas lesões osteo-neuro-mio-articulares. 

  Conteúdo programático:
- No que consiste a avaliação fisioterapêutica
- Diagnóstico clínico x Diagnóstico cinesiológico-funcional
- A avaliação sob a ótica europeia 
- A avaliação sob a ótica norte-americana
- Avaliação local x avaliação global
- Estrutura x Função
- A postura e suas implicações
- Avaliação postural estática
- Avaliação postural dinâmica
- Correlação com testes clássicos e sua interpretação
- Avaliação por regiões:
  pé e tornozelo
  joelho
  quadril ou complexo lombo-pélvico
  coluna vertebral: lombar, torácica e cervical.
  ombro
  cotovelo
  punho
- Avaliação prática entre os participantes 

Esse curso será ministrado em dois módulos; o 2º modulo tem como pré-requisito a realização do 1º.

Público alvo: profissionais de fisioterapia e acadêmicos a partir do 5º período.